Polícia aponta Deolane como integrante do PCC em operação contra Marcola

 

Imagem: Reprodução | Globo News

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra dos Santos foi presa na manhã desta quinta-feira durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo que também teve como alvo o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, além de familiares dele.

Segundo a investigação, Deolane deixou de ser vista apenas como advogada ligada a integrantes da facção e passou a ser considerada peça ativa no esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital.

De acordo com o relatório policial, a influenciadora recebeu dinheiro de uma transportadora apontada como empresa controlada pelo PCC. Os repasses teriam sido feitos por ordem de Marcola e do irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, conhecido como Marcolinha.

Os investigadores afirmam que os pagamentos eram tratados como “acertos” mensais da facção e não teriam relação comprovada com serviços advocatícios ou qualquer atividade considerada legal.

A polícia afirma ter identificado 34 transações suspeitas ligadas ao esquema. O modelo usado, segundo a investigação, servia para fragmentar o caminho do dinheiro e dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.

O nome de Deolane apareceu no inquérito após a análise da atuação de Everton de Souza, conhecido como “Player” ou “Temer”, apontado como operador financeiro do PCC. Ele seria responsável por administrar bens e direcionar dinheiro para a cúpula da facção.

Segundo os investigadores, Everton orientava depósitos para contas ligadas à influenciadora por meio da Lopes Lemos Transportadora, empresa considerada de fachada pela polícia.

As apurações também indicam que Deolane e Everton mantinham relação próxima fora do ambiente profissional. Ela aparece como representante legal dele em registros policiais e também como testemunha em ocorrências anteriores.

Everton declarou em depoimento que alugava um apartamento da advogada no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, pagando R$ 5 mil por mês.

A investigação ainda aponta que ambos utilizavam serviços do mesmo contador, Eduardo Affonso Rodrigues, identificado pela polícia como responsável por criar e manter empresas usadas no esquema financeiro.

Segundo os investigadores, várias dessas empresas funcionavam apenas no papel, registradas em endereços residenciais e sem atividade comercial real.

A operação desta quinta-feira é resultado de uma investigação iniciada em 2019, após policiais penais encontrarem bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Os manuscritos citavam uma “mulher da transportadora” ligada ao levantamento de endereços de servidores públicos, o que levou a polícia a aprofundar as investigações sobre a empresa.

Em 2021, a Operação Lado a Lado revelou que a transportadora seria usada como braço financeiro do PCC. Durante as buscas, policiais apreenderam um celular com indícios de transferências para Deolane e registros de contatos próximos com investigados do esquema.

A partir daí, a influenciadora passou a ocupar posição central no inquérito, diante de movimentações milionárias consideradas incompatíveis com o patrimônio declarado, além da compra de bens de alto padrão.

As investigações seguem em andamento.

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