O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) assumiu a autoria da manifestação que terminou com pichações e outros atos de vandalismo na área externa da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, na manhã desta quinta-feira (13). O grupo informou, pelas redes sociais, que a ação foi organizada pela Juventude Sem Terra e pelo Levante Popular da Juventude.
O ato aconteceu antes das 8h, no Setor de Embaixadas Sul. Os manifestantes escreveram críticas aos Estados Unidos nos muros da representação diplomática, em português e inglês. Entre as mensagens estava a frase “Os Estados Unidos fazem guerra e lucram com a morte”, acompanhada da versão em inglês.
Também foram deixadas faixas e bandeiras com críticas à chamada “indústria da guerra”. Parte do material foi queimada. No local, ainda foram encontrados objetos artesanais semelhantes a ossos, confeccionados com fita crepe, além de uma representação em papelão associada ao personagem Tio Sam.
Os participantes estavam com os rostos pintados e deixaram a área antes da chegada da Polícia Militar do Distrito Federal. A corporação realizou buscas nas proximidades e informou que um indivíduo supostamente envolvido na pichação foi preso e encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia.
A Polícia Civil também realizou perícia na área externa da embaixada. Após o trabalho, equipes de manutenção começaram a remover as marcas e repintaram o trecho atingido. O sistema de câmeras da representação diplomática também poderá auxiliar na apuração da movimentação registrada durante o ato.
Em comunicado, a Embaixada dos Estados Unidos classificou o vandalismo como “inaceitável” e afirmou estar trabalhando em conjunto com as autoridades locais. A representação declarou que mantém o compromisso de dialogar com a população brasileira e de proteger funcionários e instalações. Os serviços consulares continuam funcionando normalmente.
O episódio ocorre em um período de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Em julho, o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A medida entrou em vigor no dia 22 e levou o governo brasileiro a recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) em 27 de julho.
Na esfera diplomática, os Estados Unidos também cancelaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O episódio ocorreu durante o impasse envolvendo a indicação do republicano Daniel Perez para a chefia da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément necessário para a nomeação.
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