Falso PM é investigado por criar batalhão fictício, recrutar mais de 200 pessoas e aplicar série de golpes em MG

 

Foto: Reprodução

Um homem identificado como Luiz Fernando Dutra é alvo de investigação após montar um falso “batalhão” e recrutar mais de 200 pessoas com promessas de carreira militar em Minas Gerais. O caso veio à tona após ele ser preso em flagrante no início do mês, em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, ao tentar aplicar um novo golpe envolvendo uma escola pública.

De acordo com registros policiais e relatos de vítimas, Dutra se apresentava como tenente-coronel da Polícia Militar, utilizando uniforme e documentos falsificados para dar aparência de legalidade ao esquema. Dentro do suposto batalhão, ele impunha uma rotina baseada em hierarquia militar, com exigência de continência, treinamentos e aplicação de penalidades financeiras.

Uma das vítimas, Tatiane Martins, de 32 anos, relatou que os participantes chegaram a trabalhar por meses sem qualquer remuneração. Segundo ela, havia cobrança de cerca de R$ 700 para quem descumprisse regras internas, além de gastos obrigatórios com fardas, cursos e alimentação, sob promessa de ressarcimento e contratação formal, o que não ocorreu.

Os depoimentos também indicam que o investigado firmava contratos com os recrutados, mas não entregava cópias dos documentos. Benefícios como plano de saúde e auxílios eram prometidos, mas nunca concedidos. Há ainda denúncias de maus-tratos a animais no local onde funcionava o falso batalhão.

O caso ganhou novos desdobramentos após Dutra tentar fechar um acordo com uma empresa de excursões escolares, o Grupo Zero9, se passando por capelão da Força Aérea Brasileira. Na proposta, ele afirmava que destinaria cerca de R$ 308 mil para custear passeios de estudantes.

A negociação foi analisada pela advogada Lorrana Gomes, que identificou inconsistências e orientou a empresa a recusar o acordo. Segundo ela, o homem não possuía qualquer vínculo com a FAB e já apresentava indícios de fraude.

Após a recusa, Dutra foi até uma escola pública em Sabará e informou aos alunos que o passeio havia sido cancelado por suposto golpe da empresa, versão considerada falsa. A polícia foi acionada e ele acabou preso em flagrante.

Apesar da detenção, o homem foi liberado após registro por falsidade ideológica, já que não houve prejuízo financeiro efetivo no caso da escola.

Com a repercussão, outras pessoas passaram a relatar situações semelhantes, incluindo a suspeita de um novo golpe envolvendo estudantes universitários, ainda sob apuração.

A Polícia Civil foi procurada, mas não se manifestou até a última atualização do caso.

Especialistas alertam que promessas de ingresso em carreiras públicas fora dos meios legais, como concursos, são indícios claros de fraude. Segundo a advogada Michelle Guedes, golpistas costumam explorar a falta de informação e utilizam o nome de instituições oficiais para dar credibilidade a esquemas ilegais.

Além dos prejuízos financeiros, o caso também teve impacto emocional em uma escola envolvida, onde mais de 200 crianças tiveram frustrada a expectativa de participar de excursões. Diante disso, a empresa e a advogada responsável iniciaram uma campanha de arrecadação para tentar viabilizar os passeios prometidos aos estudantes.

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