Delegados da PF aprovam paralisação de 82 horas e cobram criação de fundo contra o crime organizado

 

Foto: Ilustrativa

Delegados da Polícia Federal aprovaram, em assembleia concluída nesta segunda-feira (23), a adesão ao movimento “82 horas sem a PF”, que prevê a suspensão parcial de serviços, incluindo operações. A medida deve ocorrer ainda nesta semana, possivelmente entre quarta-feira (25) e sábado (28), período em que a corporação completa 82 anos.

A mobilização tem como principal objetivo pressionar o governo federal a encaminhar ao Congresso o projeto que cria o Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas. A proposta prevê que recursos apreendidos em investigações sejam destinados diretamente ao fortalecimento das atividades de investigação, inteligência e repressão.

De acordo com a Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), a categoria se reúne nesta terça-feira (24) para definir a data exata de início da paralisação.

Em nota divulgada anteriormente, a entidade manifestou insatisfação com o texto aprovado pela Câmara dos Deputados no chamado Projeto de Lei “Anti Facção”. Segundo a associação, o relatório retirou instrumentos considerados relevantes para a atuação policial, como a ampliação do conceito de dados cadastrais, a possibilidade de captação ambiental unilateral, o aumento do prazo de guarda de registros e o uso de geolocalização em situações emergenciais.

A ADPF também aponta preocupação com mudanças relacionadas à perda de bens ligados ao crime. Para a entidade, o texto aprovado pode comprometer um mecanismo já utilizado pela Polícia Federal para reduzir a capacidade financeira de organizações criminosas durante as investigações.

A associação informa que, apenas em 2025, a Polícia Federal retirou cerca de R$ 10 bilhões dessas organizações, valor citado como indicativo da eficácia das medidas atualmente em vigor.

Outro ponto criticado é a ausência de previsão de destinação direta de recursos para a Polícia Federal. Segundo a ADPF, o projeto menciona o Fundo Nacional de Segurança Pública, mas não estabelece uma fonte permanente de financiamento para a corporação.

A entidade defende que o Poder Executivo encaminhe com urgência ao Congresso o projeto que institui o novo fundo, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e apresentado em novembro do ano passado.

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