A comissão parlamentar mista que investiga possíveis irregularidades no INSS aprovou, nesta quinta-feira, a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República. A votação provocou confusão entre parlamentares, com troca de empurrões e registro de agressões físicas dentro da sala onde ocorria a reunião, em Brasília.
A decisão coloca Fábio Luís, conhecido como Lulinha, formalmente no centro das apurações conduzidas pela comissão. O pedido foi apresentado com base em suspeitas levantadas durante as investigações sobre repasses financeiros ligados a pessoas investigadas no caso.
Logo após o resultado ser anunciado, deputados governistas reagiram e avançaram em direção à mesa diretora para contestar a condução da votação. O clima ficou tenso. Parlamentares precisaram ser contidos e houve registro de socos durante o confronto. Um dos deputados afirmou ter sido atingido.
Diante do tumulto, a sessão foi interrompida. Os trabalhos foram retomados minutos depois, mas o ambiente seguiu marcado por questionamentos. Um deputado da base do governo solicitou a anulação do resultado, alegando falha na contagem dos votos, e afirmou que poderá recorrer ao presidente do Congresso e ao Conselho de Ética.
Além da quebra de sigilo do filho do presidente, a comissão aprovou outras medidas. Entre elas, a convocação de um ex-assessor ligado à presidência do Senado e de um ex-executivo do Banco Master para prestar depoimento. Também foi autorizada a quebra de dados bancários e fiscais da própria instituição financeira.
O nome de Fábio Luís passou a ser citado nas investigações após reportagens apontarem possíveis transferências feitas por um lobista investigado por suspeita de envolvimento em descontos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas. O relator da comissão avalia que há indícios de ligação empresarial indireta entre os dois, o que motivou o pedido aprovado.
Fábio Luís é o filho mais velho do presidente e atua no setor empresarial desde os anos 2000. Ele ganhou projeção após participar de uma empresa voltada à produção de conteúdo para serviços de telecomunicações, que recebeu investimentos expressivos e passou a operar em um mercado estratégico.
As investigações da CPI continuam, com novos depoimentos e análise de documentos previstos para as próximas sessões. O objetivo da comissão é esclarecer a atuação de empresas, intermediários e possíveis beneficiários de recursos relacionados ao esquema investigado.
A reportagem segue em atualização.
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