Benito Di Paula morre aos 84 anos e deixa legado no samba brasileiro

 

Foto: Reprodução

O cantor, compositor e pianista Benito Di Paula morreu na noite de domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital 9 de Julho e enfrentava um câncer de próstata havia cerca de um ano. A morte ocorreu pouco mais de um mês antes de seu aniversário de 85 anos.

Conhecido pelo piano marcante e por sucessos que atravessaram gerações, Benito construiu uma trajetória própria no samba brasileiro. As informações sobre o velório e o sepultamento ainda não foram divulgadas nos dados disponíveis para esta matéria.

Batizado Uday Vellozo, o artista nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Criado na capital fluminense, começou a carreira como crooner, cantando e tocando em boates e bailes. Mais tarde, mudou-se para Santos, no litoral paulista, onde formou seu primeiro grupo musical.

A identidade artística de Benito ganhou força com o piano. Em vez de usar o instrumento apenas como acompanhamento, ele explorava o ritmo e a percussão nas teclas. Sem formação musical formal, desenvolveu um estilo próprio e preferia se definir como “sambeiro” e “pianeiro”. Entre suas principais referências estava o compositor Ataulfo Alves.

O reconhecimento nacional chegou em 1973, com “Retalhos de Cetim”, canção que se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira. No ano seguinte, lançou “Charlie Brown”. Depois, vieram músicas como “Do Jeito Que a Vida Quer”, de 1976, e “Assobiar e Chupar Cana”, de 1977. Em 1984, outro destaque foi “Amigo do Sol, Amigo da Lua”, que integrou a trilha sonora da novela A Gata Comeu, exibida pela TV Globo em 1985.

O estilo de Benito ficou conhecido como “sambão-joia”, expressão usada à época para classificar uma vertente mais romântica e popular do samba. Embora tenha recebido críticas, essa mistura de ritmos é apontada como uma das influências do pagode romântico que ganhou espaço nas rádios brasileiras nos anos 1990. Sua imagem também se tornou reconhecível, com cabelos longos, joias e gravatas-borboleta nas apresentações de televisão.

A partir dos anos 1990, Benito ficou mais distante das grandes gravadoras, mas continuou ligado à música. Em 2021, aos 80 anos, lançou o álbum Benito 80: Novo Samba Sempre Novo, em parceria com o filho, Rodrigo Vellozo, e com participações de artistas como Teresa Cristina, Xande de Pilares e Zeca Baleiro.

A obra do cantor também voltou a ganhar destaque nos últimos anos. Em 2025, ele foi homenageado pela escola de samba Águia de Ouro, no Carnaval de São Paulo, com um enredo inspirado em sua trajetória. Benito participou do desfile em um dos carros alegóricos da agremiação.

A despedida será realizada na terça-feira (20), no Theatro Municipal de São Paulo, das 9h às 15h, com acesso aberto ao público. O sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério Morumby, em cerimônia restrita à família.

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