José Múcio diz que abriria o portão em caso de invasão dos EUA e defende mais investimentos na Defesa

 

Foto: Reprodução | Ricardo Stuckert

Uma resposta bem-humorada do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, chamou atenção durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte marítimo e indústria brasileira. Ao comentar um cenário hipotético de invasão dos Estados Unidos ao Brasil, o ministro afirmou que o país não teria condições militares de enfrentar a maior potência do mundo e disse que, nessa situação, "abriria o portão".

Segundo Múcio, a declaração surgiu após uma pergunta feita por um jornalista sobre como reagiria, na condição de ministro da Defesa, caso os Estados Unidos decidissem invadir o Brasil. Em tom de brincadeira, respondeu que abriria o portão porque o país não dispõe de equipamentos para enfrentar os norte-americanos e nem teria recursos para consertar o próprio portão, provocando risadas entre os participantes do evento.

A fala ocorreu antes de os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora brasileira em Washington.

Apesar do comentário descontraído, o ministro concentrou sua apresentação na defesa de uma política de fortalecimento das Forças Armadas. Ele argumentou que o Brasil investe pouco na área de defesa quando comparado a outros países da região e afirmou que a falta de previsibilidade orçamentária dificulta a continuidade de projetos estratégicos de longo prazo.

Múcio reconheceu, porém, que ampliar os recursos destinados à defesa não é uma tarefa simples diante das necessidades do país em áreas como educação, saúde, habitação e assistência social. Segundo ele, muitas vezes falta até disposição política para reivindicar mais verbas para o setor.

"Você chega a não ter coragem de pedir esse dinheiro porque o Brasil precisa de outras oportunidades", afirmou.

Ao defender novos investimentos, o ministro comparou os gastos com defesa à contratação de um plano de saúde. Segundo ele, o ideal é investir em prevenção, torcendo para que esses recursos nunca precisem ser utilizados em um conflito.

Múcio também ressaltou que o fortalecimento da defesa nacional não tem como objetivo preparar o Brasil para guerras ou invasões. "Não é da nossa vocação", declarou. Para o ministro, o desenvolvimento da área está diretamente ligado ao avanço tecnológico e ao fortalecimento da indústria nacional.

Na parte final da apresentação, José Múcio afirmou que tem levado ao presidente da República e aos demais integrantes do governo a necessidade de garantir maior estabilidade orçamentária para o setor. Segundo ele, esse planejamento é essencial para manter projetos de longo prazo e ampliar a presença da indústria brasileira de defesa no mercado internacional.

Como exemplo desse potencial, o ministro afirmou que o Brasil se prepara para exportar equipamentos estratégicos produzidos pela indústria nacional, entre eles submarinos, aviões e blindados.

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