Uma estudante de Direito de 22 anos foi presa preventivamente nesta sexta-feira (14), no Distrito Federal, suspeita de participar de um esquema de estelionato eletrônico envolvendo a venda fraudulenta de celulares pela internet. A prisão ocorreu durante a Operação Reflexo, realizada pela 8ª Delegacia de Polícia, na Estrutural.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a jovem, identificada como Micaelli Araújo, agia com o companheiro, Rafael dos Santos Damasceno, de 25 anos. Os dois são investigados por anunciar aparelhos que, de acordo com a apuração, não existiam.
Micaelli cursava o 7º semestre de Direito e também trabalhava como estagiária em um escritório de advocacia. Nas redes sociais, mantinha publicações com orientações sobre prevenção de golpes e cuidados para evitar fraudes virtuais. Ela também divulgava conteúdos sobre recuperação de contas bancárias bloqueadas por suspeitas de fraude.
Para os investigadores, essa atuação nas redes ajudava a transmitir uma imagem de confiança enquanto o casal realizava as negociações investigadas.
A polícia afirma que os suspeitos utilizavam perfis que imitavam a identidade visual de uma conhecida loja do setor de telefonia. Além da presença virtual, o casal teria montado uma falsa estrutura comercial em um cômodo da própria residência, em São Paulo.
O espaço continha caixas vazias de celulares, embalagens, etiquetas e outros materiais usados para criar a aparência de um estoque. Os investigadores também encontraram registros de fotos e vídeos nos quais os supostos aparelhos apareciam embalados e preparados para envio.
A estratégia, segundo a investigação, começava com a divulgação dos produtos por meio de páginas que aparentavam pertencer a empresas conhecidas. Depois, os interessados recebiam atendimento semelhante ao de uma loja convencional e eram orientados a realizar o pagamento por Pix.
Após o dinheiro ser transferido, os aparelhos não eram entregues. As vítimas, ainda segundo a polícia, eram posteriormente bloqueadas nos canais utilizados para a negociação.
A Operação Reflexo teve apoio da Polícia Civil de São Paulo (PCSP) e colaboração do setor de inteligência de uma grande plataforma de comércio eletrônico. A Justiça autorizou a prisão preventiva dos dois investigados, além do cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão.
Durante a operação, os policiais apreenderam equipamentos eletrônicos e dezenas de caixas que, conforme a investigação, fariam parte da estrutura usada para simular a existência da loja. Também foi determinado o bloqueio cautelar de R$ 20 mil em contas vinculadas aos investigados.
Os dispositivos recolhidos serão submetidos a perícia. A análise deve auxiliar na identificação de possíveis novas vítimas, de outras fraudes e na apuração da participação de cada suspeito.
De acordo com a PCDF, Micaelli não tinha antecedentes criminais. Rafael, por outro lado, responde a um processo por estelionato virtual no Rio Grande do Sul relacionado a uma fraude semelhante.
A investigação aponta que ocorrências atribuídas ao esquema foram registradas no Distrito Federal e em outros estados. Os dois são investigados por estelionato mediante fraude eletrônica, previsto no artigo 171, § 2º-A, do Código Penal.
A apuração continua para dimensionar a atuação do grupo e identificar outras possíveis vítimas.
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