Trump cita crise migratória em Ceuta e afirma que cenário pode se repetir nos Estados Unidos

 

Foto: Reprodução | Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a crise migratória registrada em Ceuta, território espanhol no norte da África, representa um alerta para o futuro da imigração em seu país. Em entrevista à Fox News, o republicano classificou as cenas como "terríveis" e disse que os Estados Unidos poderão enfrentar situação semelhante caso um candidato democrata volte à Casa Branca.

"Lembrem-se daquelas imagens. É assim que estaremos daqui a três anos se o lado errado vencer as eleições", declarou Trump durante a entrevista.

O posicionamento foi reforçado pelo Departamento de Estado norte-americano, que classificou o episódio como "inaceitável" e uma "grave violação da soberania" da Espanha. Em nota, o órgão também responsabilizou o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez pela crise migratória e afirmou que sua gestão estaria favorecendo a migração ilegal em massa para a Europa.

Ainda segundo o governo norte-americano, estão sendo avaliadas medidas para proteger cidadãos dos Estados Unidos "em casa e no exterior". O Departamento de Estado também informou estar preparado para apoiar outros aliados europeus que decidam adotar estratégias semelhantes às utilizadas pelos EUA para conter a entrada irregular de imigrantes.

Desde que retornou à Presidência no ano passado, Trump tem endurecido a política migratória. O governo intensificou deportações em massa e reforçou a atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), cumprindo uma das principais promessas de campanha. De acordo com as informações divulgadas, pelo menos sete pessoas morreram durante operações federais de fiscalização migratória realizadas desde janeiro de 2025.

Outra medida adotada pela administração norte-americana foi o aumento da aplicação de multas contra imigrantes em situação irregular. Mais de 100 mil pessoas já receberam notificações cobrando US$ 998 por dia de permanência após uma ordem judicial de remoção. Segundo o jornal The New York Times, as penalidades podem alcançar US$ 1,8 milhão por pessoa.

A crise em Ceuta ganhou força após milhares de imigrantes cruzarem a fronteira entre Marrocos e o território espanhol. As autoridades já monitoravam o aumento das travessias, mas o maior fluxo ocorreu quando centenas de pessoas chegaram simultaneamente ao local. Pelo menos 34 pessoas morreram durante a tentativa de entrada.

Imagens registraram imigrantes atravessando o mar com boias infláveis e outros dispositivos de flutuação em direção ao quebra-mar de Tarajal. A Guarda Civil informou que a entrada em massa sobrecarregou as equipes de segurança. Outros registros mostraram parte dos migrantes gritando "Viva a Espanha" ao alcançar o território espanhol.

Ceuta e Melilla são territórios pertencentes à Espanha localizados no continente africano e fazem fronteira com Marrocos. As duas cidades representam as únicas fronteiras terrestres entre a Europa e a África.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, atribuiu a chegada em massa à atuação de redes de tráfico humano. Segundo ele, criminosos divulgaram uma interpretação tendenciosa de uma decisão do Supremo relacionada à repatriação de imigrantes, incentivando milhares de pessoas a tentar entrar em Ceuta.

De acordo com o Ministério do Interior da Espanha, mais de 25 mil imigrantes que cruzaram a fronteira já retornaram a Marrocos. O governo espanhol informou ainda que o processo de retorno ocorre em ritmo acelerado, com cerca de 150 pessoas sendo devolvidas por minuto.

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