FRENTE FRIA HISTÓRICA E VENTOS DE ATÉ 300 KM/H DEIXAM CINCO MORTOS E RASTRO DE DESTRUIÇÃO NO SUL E SUDESTE

 

Foto: Reprodução

Uma tempestade avassaladora provocada pela passagem de uma intensa frente fria espalhou um rastro de destruição, paralisou serviços essenciais e deixou cinco pessoas mortas nas regiões Sul e Sudeste do país nesta quarta-feira, 29 de julho. O avanço do sistema meteorológico desencadeou rajadas de vento violentas, que ultrapassaram a marca dos 100 km/h em vários municípios e atingiram o nível extremo no Rio Grande do Sul com o registro de um tornado.

No Estado de São Paulo, três vidas foram perdidas em decorrência do fenômeno. Em Santos, no litoral paulista, uma vítima morreu ao ser atingida por uma árvore. Na cidade de Cesário Lange, no interior, um homem de 62 anos faleceu após a queda de uma árvore de grande porte sobre o carro que ele dirigia na Estrada José Ricci, logo depois de sair do trabalho. A terceira morte em solo paulista ocorreu em São Sebastião, no litoral norte, onde um homem não resistiu ao naufrágio de uma embarcação de pesca durante a tempestade.

No Rio de Janeiro, o Corpo de Bombeiros confirmou dois óbitos provocados pelo desabamento de um muro no bairro de Santa Teresa, localizado na região central da capital. As equipes de resgate mantêm forte mobilização, operando com viaturas, ambulâncias e embarcações, inclusive nas buscas por um pescador que desapareceu em Tarituba, no distrito de Mambucaba. Até o início da noite de quarta-feira, a corporação contabilizava 185 chamados no estado, somando 93 cortes de árvores, 31 salvamentos de pessoas e cinco desabamentos diretamente associados à ventania.

A força do vento provocou um verdadeiro colapso na infraestrutura fluminense. As rajadas alcançaram 105 km/h no Aeroporto do Galeão e aproximadamente 100 km/h na capital e Região Metropolitana. O cenário exigiu a interrupção temporária do tráfego na Ponte Rio-Niterói e a suspensão completa de pousos e decolagens no Aeroporto Santos Dumont durante os momentos mais críticos. Bairros inteiros ficaram sem energia elétrica, enquanto as operações de trens e metrôs sofreram graves impactos.

Em São Paulo, o vendaval também causou estragos severos e paralisou serviços estratégicos. A maior velocidade de vento no estado foi registrada em Itaporanga, onde os picos chegaram a 124,9 km/h. Diante da gravidade da situação, a Defesa Civil estadual emitiu alerta máximo para a capital e Grande São Paulo contra riscos de destelhamentos e queda de árvores. O Governo Paulista manteve o Gabinete de Crise acionado desde a manhã, reunindo forças policiais, bombeiros, órgãos reguladores e concessionárias de energia. Nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, passageiros enfrentaram atrasos e alterações de voos. No litoral, o Porto de Santos e o serviço de travessia por balsas tiveram as atividades totalmente paralisadas.

De acordo com análises da Climatempo, a violência dos ventos decorreu do choque direto entre massas de ar com características opostas. Antes da chegada do sistema, o Sudeste registrava temperaturas elevadas: a capital fluminense atingiu 35,8°C no período da tarde, marcando um dos dias mais quentes para o mês de julho desde 2007. Em São Paulo, o calor subiu para 34°C no Guarujá e 35,2°C em Santos. O encontro repentino desse ar seco e quente com o ar frio e úmido acelerou o deslocamento do ar e aumentou a instabilidade nos níveis mais altos da atmosfera.

A previsão meteorológica aponta para uma perda gradual de força das rajadas à medida que ocorra o equilíbrio térmico entre as massas de ar. Sem o choque extremo entre o calor e o ar frio, cessam as condições para a aceleração do vento. No entanto, a Climatempo alerta que a chuva e os ventos fortes ainda devem continuar nesta quinta-feira, 30 de julho, nas regiões afetadas pela frente fria.

Enquanto a frente fria avançava rumo ao Sudeste, o Rio Grande do Sul enfrentou um evento ainda mais devastador na noite de terça-feira, 28 de julho. Um tornado provocado por uma tempestade do tipo supercélula — caracterizada por correntes de ar ascendentes em rotação — atingiu os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, na região Noroeste gaúcha.

A MetSul Meteorologia estimou que os ventos do tornado podem ter alcançado 300 km/h. O fenômeno deixou quatro pessoas feridas, destruiu dezenas de residências, derrubou paredes, postes e árvores, bloqueou rodovias e interrompeu o fornecimento de energia elétrica. Com o deslocamento do sistema instável em direção ao Sudeste, a Defesa Civil gaúcha confirma a entrada de uma massa de ar mais seco e a consequente melhora no tempo no estado.

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