O corpo encontrado decapitado e carbonizado em um sítio na região de Meaípe, em Guarapari, no Espírito Santo, foi identificado como sendo de Dante de Brito Michelini, de 76 anos. A confirmação ocorreu nesta quinta-feira (5), após exame papiloscópico realizado pela Polícia Científica do Espírito Santo, que analisou as impressões digitais. A morte é investigada como homicídio pela Polícia Civil, e a cabeça da vítima ainda não havia sido localizada até a última atualização.
A identificação encerra a etapa inicial da perícia e permite que familiares iniciem os procedimentos fúnebres. Um dos irmãos de Dante reconheceu a vítima e esteve na propriedade onde o corpo foi localizado. O cadáver estava dentro de uma estrutura incendiada no sítio. A descoberta ocorreu após uma testemunha estranhar a ausência do proprietário e encontrar sinais de destruição no local.
Dante Michelini ficou nacionalmente conhecido por ter sido um dos acusados no assassinato de Araceli Cabrera Crespo, ocorrido em 1973, em Vitória. A menina tinha 8 anos e foi raptada, dopada, violentada, morta e carbonizada. O caso se tornou um dos mais emblemáticos crimes de violência contra crianças no país.
Na época, Dante foi um dos três principais suspeitos. Em 1980, chegou a ser condenado, mas a decisão foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Após novo julgamento, que se estendeu por cinco anos, ele e os demais réus foram absolvidos por falta de provas. O processo acabou arquivado, sem responsabilização criminal.
Integrante de uma das famílias mais tradicionais e influentes do Espírito Santo, Dante era neto de Dante Michelini, que dá nome a uma das principais avenidas de Vitória. Ao longo das décadas, os familiares evitaram manifestações públicas sobre o caso Araceli, atribuindo a associação do nome da família ao crime a informações divulgadas pela imprensa à época.
O assassinato de Araceli motivou a criação do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio, conforme a Lei Federal nº 9.970, de 2000. A data é marcada anualmente por ações de conscientização em todo o país e pela lembrança da impunidade que envolveu o caso.
A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias da morte de Dante Michelini, incluindo a dinâmica do crime, a motivação e a identificação de possíveis envolvidos.
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