Técnicos de enfermagem são presos por suspeita de matar três pacientes em hospital do DF

 

Foto: Divulgação | Polícia Civil - DF

Três técnicos de enfermagem foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta segunda-feira (19), suspeitos de envolvimento na morte de três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga, entre novembro e dezembro de 2025. Os casos motivaram a Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP). Os nomes dos detidos não foram divulgados. Em nota, o hospital informou que denunciou as ocorrências às autoridades.

Segundo a investigação, os crimes são tratados como homicídios e teriam sido cometidos mediante aplicação indevida de um composto químico diretamente na corrente sanguínea das vítimas. A substância, quando utilizada de forma irregular, pode provocar parada cardíaca. Fontes ligadas ao caso afirmam que o composto não deixava vestígios aparentes.

A primeira fase da operação foi realizada em 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada. Na ocasião, dois suspeitos foram presos temporariamente e houve cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal. Materiais considerados relevantes foram apreendidos e passaram por análise dos investigadores.

As apurações, conduzidas sob sigilo, indicam que o grupo atuava de forma coordenada na rotina hospitalar. Conforme a PCDF, um técnico de 24 anos teria utilizado o sistema eletrônico do hospital aberto no login de um médico para prescrever medicamento incompatível com o quadro clínico dos pacientes. Em seguida, ele retirava o produto na farmácia da unidade e fazia a aplicação sem conhecimento ou autorização da equipe médica.

De acordo com as informações reunidas, duas aplicações ocorreram em 17 de novembro e a terceira em 1º de dezembro. As vítimas eram uma professora aposentada de 67 anos, um servidor público de 63 e um homem de 33 anos, todos internados na UTI. Em um dos casos, ainda segundo a polícia, o técnico aplicou desinfetante por seringa em ao menos 10 ocasiões, substância sem indicação para uso intravenoso e capaz de causar danos imediatos.

Os investigadores também tiveram acesso a imagens de câmeras da UTI que registraram a presença dos suspeitos próximos aos leitos nos horários compatíveis com os procedimentos apontados como irregulares. Inicialmente, os três negaram participação, mas, após confronto com as evidências, confessaram envolvimento. O técnico de 24 anos teria feito as aplicações diretamente, enquanto duas técnicas, de 22 e 28 anos, teriam auxiliado em ao menos dois dos episódios, segundo a PCDF.

Na última quinta-feira (15), uma segunda fase da operação foi deflagrada, com cumprimento de novo mandado de prisão temporária contra uma investigada e apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

A PCDF informou que as investigações seguem para esclarecer a dinâmica dos fatos, identificar todos os envolvidos e determinar se os homicídios ocorreram de forma isolada ou sistemática dentro da unidade hospitalar.

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