O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a Nova York na noite deste sábado (3) após ser capturado durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas. Segundo informações oficiais, ele foi detido na madrugada e transferido em aeronave militar para território americano, acompanhado da esposa, Cilia Flores.
O avião pousou na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, no estado de Nova York. Pouco depois, Maduro foi visto desembarcando algemado e escoltado por mais de uma dezena de agentes federais vestidos de preto. Ele usava roupas cinzas e permaneceu sob forte esquema de segurança.
Após o desembarque, o líder chavista foi encaminhado para o Metropolitan Detention Center (MDC), no distrito do Brooklyn. O presídio federal é destinado a detentos que aguardam julgamento nos tribunais federais de Manhattan e do próprio Brooklyn. A unidade foi inaugurada na década de 1990 para aliviar a superlotação do sistema prisional da cidade.
O MDC Brooklyn é o único centro correcional federal em funcionamento na maior cidade dos Estados Unidos e é classificado como uma instalação de alta segurança, preparada para custodiar presos considerados de alto risco. O local já recebeu figuras centrais de investigações federais de grande repercussão, como o rapper Sean “Diddy” Combs, o ex-empresário Sam Bankman-Fried e Ghislaine Maxwell.
A penitenciária também foi utilizada para abrigar líderes do narcotráfico internacional. Medidas especiais de segurança foram adotadas para manter detentos como Joaquín “El Chapo” Guzmán, que havia escapado de prisões no México, e Ismael “El Mayo” Zambada García, cofundador do Cartel de Sinaloa, antes de se declarar culpado em processos criminais nos Estados Unidos.
Apesar do alto nível de segurança, o MDC Brooklyn é conhecido por problemas estruturais e recorrentes. Ex-detentos e advogados descrevem o presídio como superlotado, com déficit de funcionários, episódios frequentes de violência interna e falhas graves de infraestrutura. O local já foi classificado publicamente como tendo condições “horripilantes” e “repugnantes”.
Em junho de 2024, um detento identificado como Uriel Whyte morreu após ser esfaqueado dentro da unidade, conforme comunicado do Departamento Penitenciário Federal. No mês seguinte, Edwin Cordero perdeu a vida em uma briga iniciada no interior do presídio. À época, a defesa afirmou que o caso refletia a situação crítica da prisão, marcada por negligência e falta de controle.
O histórico mais grave ocorreu em janeiro de 2019, quando uma queda prolongada de energia deixou o presídio praticamente às escuras por cerca de uma semana, em pleno inverno do Nordeste dos Estados Unidos. Detentos relataram confinamento contínuo nas celas, falhas nos sistemas de aquecimento e banheiros inoperantes, além da exposição a temperaturas extremamente baixas.
O episódio levou o Departamento de Justiça a abrir uma investigação sobre a existência de planos de contingência adequados para preservar as condições mínimas de vida dos presos. Posteriormente, o governo federal firmou um acordo judicial que resultou no pagamento de cerca de US$ 10 milhões em indenizações a aproximadamente 1.600 detentos afetados pelas condições consideradas desumanas.
As autoridades americanas informaram que Maduro permanecerá custodiado no MDC Brooklyn enquanto aguarda os próximos desdobramentos judiciais do caso nos tribunais federais dos Estados Unidos.

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