Corpo de tio de Suzane é achado morto na zona sul de SP e disputa por liberação causa atraso em delegacia

 

Foto: Reprodução

Um médico de 76 anos foi encontrado morto dentro de casa na Vila Congonhas, zona sul de São Paulo, gerando a abertura de inquérito policial e movimentação incomum no 27º Distrito Policial (Campo Belo). O caso envolve Miguel Abdalla Neto, tio materno de Suzane von Richthofen, condenada por matar os próprios pais em 2002 e atualmente em regime aberto.

Segundo apuração do Diário Paulista, Abdalla foi localizado na sexta-feira (9). Um vizinho estranhou o fato de ele não dar notícias havia dois dias e utilizou uma escada para observar o interior do imóvel, acionando a Polícia Militar em seguida. A PM constatou que não havia sinais de arrombamento e atribuiu a morte a causa natural. Apesar disso, o boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita, ficando sob responsabilidade da mesma delegacia que apurou o duplo homicídio dos pais de Suzane há mais de duas décadas.

No dia seguinte, sábado (10), o corpo seria encaminhado para liberação. A papelada, porém, atrasou após Suzane aparecer no 27º DP identificando-se pelo nome atual, Suzane Louise Magnani Muniz, adotado após seu casamento com o médico Felipe Zecchini Muniz. De acordo com uma fonte policial ouvida pela reportagem, os documentos já estavam sendo providenciados por uma prima do médico quando Suzane tentou assumir os trâmites, alegando vínculo de parentesco. Policiais reconheceram a condenada, fato que, junto à disputa pela liberação, provocou tumulto e retardou o procedimento.

Ainda no sábado, Suzane também esteve no IML com o mesmo objetivo. Ela conhecia o tio desde antes do crime de 2002, quando Abdalla atuou como tutor de Andreas von Richthofen, irmão mais novo de Suzane, e como inventariante dos bens deixados por Manfred e Marísia Richthofen. Durante a investigação do duplo homicídio, Suzane compareceu ao 27º Distrito para prestar depoimento acompanhada pelo próprio tio em pelo menos duas ocasiões.

Abdalla permaneceu como inventariante até julho de 2005, quando Andreas completou 18 anos e assumiu a função após pedido de afastamento apresentado por Suzane, que acusou o tio de ocultar parte do patrimônio da família. No ano seguinte, o médico recorreu à Justiça para relatar que Suzane teria sido vista circulando nas proximidades da casa onde vivia com a mãe e com Andreas, fato que resultou em um pedido de prisão preventiva formulado pelo Ministério Público de São Paulo.

Na manhã de sábado, o muro do imóvel onde o médico morava apareceu pichado com a frase “Será que foi a Suzane?”. O texto foi removido nesta segunda-feira (12) por um profissional que evitou conversar com a reportagem. Não há indícios de violência, e o inquérito instaurado na delegacia seguirá para esclarecer as circunstâncias do falecimento.

Suzane cumpre pena de 39 anos e 6 meses de prisão por duplo homicídio triplamente qualificado. Desde janeiro de 2023, está em regime aberto.

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